Ao longo do presente estudo do I Ching, descobrimos que toda a ordem subjacente ao Universo e à vida está representada por duas linhas, uma inteira (Yang) e outra partida (Yin), carregadas de significado espiritual. Essas duas linhas são a corporificação da órbita da mutação e os dois pólos opostos que a determinam. É importante pensar nesta representação como muito concreta. Hoje tendemos a falar de “símbolos” em cada contexto, cada pessoa variando, de acordo com sua vontade, a distancia entre o símbolo e o objeto simbolizado. Entretanto, num mundo mágico tal como o que aparece nos estratos mais antigos do texto do livro, o objeto e sua imagem são idênticos. Não precisamos retroceder no tempo porque estas imagens adotaram uma forma totalmente racional, uma linha inteira e uma linha partida, no lugar de serem apresentadas de uma forma mais realista. As infinitas complexidades do mundo fenomênico foram expressas de uma forma racional totalmente accessível ao intelecto humano e a ao seu poder de ação, de forma de desvendar os aspectos ocultos do mundo manifestado e assim poder alcançar uma visão profunda dos acontecimentos e determinar um curso de ação. De acordo com a tradição, essas imagens lineares foram criadas pelos homens santos e os sábios da antiguidade, os quais, em contrapartida, são os agentes mais importante no mundo fenomênico; pois, as imagens lineares representam o Universo em sua totalidade, elas são sua corporificação. Nos estratos mais recentes do texto do I Ching, a idéia de “tal como” começou a se interpor entre o objeto e a representação de sua imagem. As imagens não são mais os objetos em si, elas são “tal como” os objetos representados.
A crescente abstração da
imagem em relação ao objeto simbolizado permite que o valor da imagem seja exaurido
completamente. É o caminho que vai do envolvimento mágico com o mundo fenomênico
até o completo domínio e controle desse mundo fenomênico. A partir dos atributos dos objetos, a imagem se torna um
meio de entender e controlar esses objetos, um meio muito mais eficiente que a
escrita ou a fala. Contudo, quando se trata de explicar as situações descritas
pelo I Ching, é bom levar em conta a fusão original do objeto com sua imagem. Somente
desta forma uma parte considerável do texto se tornará inteligível.
O sistema de combinação de linhas
que formam o hexagrama se desenvolve naturalmente e logicamente a partir da representação
de uma linha partida (▬ ▬ ) e uma linha inteira (▬▬▬).
Os Oito Trigramas Básicos
Combinando mais uma linha,
são obtidas quatro configurações de duas linhas: o velho yang, formado por duas
linhas inteiras (▬▬▬ ▬▬▬); o jovem yang,
uma linha inteira e uma partida (▬▬▬ ▬ ▬) o jovem yin, formado por uma linha uma linha partida
e uma linha inteira (▬ ▬ ▬▬▬ ); e o
velho yin,duas linhas partidas (▬ ▬ ▬ ▬).
A linha inferior, sobre a qual se apóia a estrutura do bigrama é a que determina a natureza da configuração. Se
mais uma linha e somada a cada uma das quatro configurações, obtemos os oito
trigramas, e da superposição desses oito trigramas em todas as combinações
possíveis resultam os sessenta e quatro hexagramas. Esse é o processo que no Tao Te Ching é descrito no Capitulo 42: “O Tao deu origem ao Um, o Um deu origem
ao Dois (Yin e Yang), o Dois deu origem ao Três (Terra, Homem, Céu) e o Três
deu origem às dez mil coisas”.
Se esse processo lógico de
desenvolvimento corresponde à seqüência histórica é uma questão em aberto. Há
muitos sinais de que os hexagramas foram as imagens originais das quais os
trigramas foram, mais tarde, abstraídos e que a configuração dos bigramas são
produto de uma racionalização muito posterior ainda. Começando pelos
comentários sobre as Imagens ou Análise dos Trigramas (Ta Hsiang Chuan), que na
tradução de Wilhelm aparecem como 3ª e 4ª Asas, e correspondem, segundo Iulian
K. Shchutsquii, a uma parte do texto adicionada entre os séculos VI e I a.C.,
enquanto que a essência do I Ching foi compilada entre os séculos XII e VII
a.C. Se os comentários sobre as Imagens (Trigramas) fossem tão antigos quanto a
tradição pretende que são, eles apareceriam no estrato mais antigo do texto e
não no mais recente. Um outro fato que contradiz a tradição é que os números
dois e seis, nos quais os hexagramas se baseiam, têm, desde cedo, uma grande ênfase no sistema numérico. É muito
provável que o número seis já tivesse uma grande ênfase antes da Dinastia Hsia,
enquanto que o número três e o número oito parecem ter adquirido importância
muito mais tarde. Assim, não é fácil aceitar que a simples adição de um mais um
mais um foi o caminho pelo qual o mundo fenomênico foi representado. A lei
subjacente à fórmula um mais um mais um é inerente a todas as coisas, mas a
racionalização deste processo parece ser alheio à percepção original do I
Ching, e parece pertencer uma posterior sistematização. Entretanto, essa
racionalização posterior serviu para mostrar quão adequada foi a visão original
do texto do I Ching. Esta questão nos leva a uma pergunta que é crucial para a
interpretação do I Ching e que se remonta à época dos primeiros comentaristas,
a partir de Wang Pi (226-249 d.C.): em qual estrato do texto jaz o verdadeiro sentido do
I Ching? Está no enorme reservatório de antigas imagens e idéias que
ocasionalmente brilham através do estrato mais antigo do texto,
fundamentalmente as imagens recriadas pela interpretação dos ideogramas que dão
nome aos hexagramas ? Está na
sistematização que teve lugar na época do Rei Wen, principalmente através do
Julgamento e do Julgamento das linhas? Está na inclusão de ditados folclóricos
e versos que dão ao Livro uma profundidade extraordinária? Ou está no
refinamento intelectual e espiritual que o texto alcançou pelas mãos da Escola
Confucionista no terceiro período da Era Chou. E esse ainda não é o último
estrato do texto, já que foram incluídos vários comentários apócrifos dos períodos
Chou, Ch’in e Han, produzidos em grande parte pela popular Escola Taoista. Todos
esses estratos são mais ou menos transparentes. Alguns estratos podem ser
isolados com relativa certeza, mais outros é praticamente impossível
identificar a que grupo pertencem. Mas o essencial é que todos os estratos
pertencem ao I Ching. Seu verdadeiro valor jaz na sua abrangência e no seu aspecto multifacetado. É assim que o
I Ching vive e é reverenciado na China, e se nosso objetivo é não perder nada
significativo, não devemos negligenciar os estratos mais recentes do texto. Por
isso, é importante examinar os oito trigramas, a configuração básica de linhas inerente a todos os hexagramas.
Os Oito Trigramas Básicos
Ch’ien K’un Chên Sun K’an Li Ken Tui
▬▬▬
▬ ▬ ▬
▬ ▬▬▬ ▬ ▬ ▬▬▬ ▬▬▬
▬ ▬
▬▬▬ ▬ ▬ ▬
▬ ▬▬▬ ▬▬▬ ▬ ▬ ▬
▬ ▬▬▬
▬▬▬
▬
▬ ▬▬▬ ▬
▬ ▬ ▬ ▬▬▬ ▬
▬ ▬▬▬
Para
começar, temos o par de opostos, Ch’ien e K’un, um trigrama formado por 3
linhas inteiras (yang) e o outro trigrama formado por três linhas partidas
(yin). Para começar, temos o par de
opostos, Ch’ien e K’un, um trigrama formado por 3 linhas inteiras (yang) e o
outro trigrama formado por três linhas partidas (yin). Os nomes dados a esses
dois trigramas não são fáceis de decifrar; o
significado mais antigo desses ideogramas é, provavelmente, “o seco” e
“o úmido”, isto é a separação da terra e da água, imagem que também encontra
correlação com o inicio da criação no mundo ocidental. Na China, entretanto,
esta separação não se limita apenas à superfície, já que Ch’ien não denomina o
continente nem K’un o oceano, pois a ênfase está nas forças ativas dos
elementos representados. Desta forma, Ch’en significa a força da criação e K’um significa a força que nutre as
criaturas e os objetos criados. Neste significado muito antigo de ambos os
ideogramas nos deparamos com uma tradição ancestral, onde a terra, ou pelos
menos seus produtos, são masculinos; mais tarde esta concepção se converteu no
princípio oposto. A mudança de significado ocorrida com o trigrama Ch’ien nunca
conseguiu obscurecer totalmente o mais antigo significado e a conseqüente
ambivalência ampliou seu significado para “natureza” e lhe conferiu uma grande
força energética. Já no início da dinastia Chou, o significado de Ch’ien tinha se expandido
além da terra e crescido bem acima dela, enquanto K’un ocupou a posição
abandonada. Assim, neste período eles já representam as imagens do Céu e da
Terra. Mas essas imagens também são
dinâmicas, a qualidade de suas ações sendo mais importantes do que seu modo de
ser. Céu é o elemento criativo, o soberano, o príncipe e o pai. Terra é o
princípio receptivo que se adapta devotamente àquele que está acima dela; é a
mãe e o povo governado de cima. Ch’ien é a cabeça, k’um a cavidade abdominal.
Ch’ien é redondo e expansivo, K’un é quadrado e plano. Ch’ien é frio e gelado,
K’un cálido e acolhedor. Ch’ien é a afiada lâmina de metal; é o polido jade.
K’um é um grande vagão que abriga e transporta infinidade de coisas com
facilidade. Ch’ien é a energia e K’um a forma. Ch’ien é vermelho forte e K’un
preto escuro. Ch’ien é o lugar onde os opostos se confrontam: “Deus luta no trigrama do Criativo” ((Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5) e “o obscuro e o luminoso se sucedem
mutuamente” (
(Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5) . Indicativo de uma vasta experiência e uma aguçada
observação é o fato de que este evento era atribuído ao Noroeste e o tempo assinado era o final do outono e o começo do
inverno, ou em termos do dia e da noite, o período antes da meia-noite: o
momento em que os opostos se encontram quando as batalhas decisivas são
travadas, como qualquer um que tenha investigado o ritmo da psique sabe. K’um,
no pólo oposto, é o símbolo do trabalho em paz: “Deus faz com que os seres se ajudem uns aos outras no trigrama do
Receptivo” (Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5). K’un é a época de amadurecimento no final do verão; é a tarde
acessa pelo cálido brilho do sol. Também há símbolos de animais associados a
esses dois trigramas. Originariamente, Ch’ien era o dragão e K’un a égua. Mais
tarde, os cavalos em suas múltiplas representações, um cavalo esguio, um cavalo
velho, e um cavalo selvagem, foram associados a Ch’ien; enquanto que a vaca e a
vaca com um bezerro apareceram como símbolo de K’un. Essa mudança pode também
estar associada a um processo histórico. O dragão é originariamente uma herança
mitológica da irrigada região Sul onde o povo Tai mantinha uma lembrança verde.
Mas o cavalo parece ter vindo do Norte. Da antítese entre o dragão e a égua
pode se deduzir uma superposição da cultura Norte por um derradeiro avanço da
cultura Sul. O gado, por outro lado, pertence ao Oeste, tal vez aos povos
tibetanos. A cultura do cavalo parece ter prevalecido sobre a mais antiga
cultura do gado. De qualquer forma, o fato do dragão e do cavalo terem deixado
sua marca no trigrama Ch’ien , mais uma vez contribuiu para sua dinâmica
ambivalente.
Os restantes seis trigramas
mostram uma combinação de linhas inteiras e linhas partidas. Eles pode ser
divididos em dois grupos, os trigramas luminosos ou masculinos, representando
os três filhos; e os trigramas obscuros
ou femininos, representando as três filhas. A primeira vista, parece
surpreendente que os trigramas luminosos são aqueles que tem mais linhas
obscuras e os trigramas obscuros são aqueles que tem mais linhas luminosas e
que alinha que difere das outras é a que determina a característica principal
dos trigramas. Uma das explicações para isso é que os trigramas luminosos
contém um valor numérico impar e os trigramas obscuros um valor numérico par: os
número ímpares são masculinos (yang) e os números pares são femininos (yin). Os
três trigramas luminosos são Chên, K’an e K’en. No primeiro destes trigramas a a
linha inferior (primeira linha) é luminosa, no segundo trigrama a linha
luminosa está no meio (segunda linha), e
no terceiro trigrama a linha luminosa está no topo (terceira linha).
Assim, o primeiro trigrama,
Chên, é o filho mais velho, e seu principal atributo é Estimulante ou
Excitante. Sua imagem na natureza é o Trovão: “No trigrama Estimulante, ela (K’un) procura pela primeira vez o poder
do macho e recebe um filho. Por isso,
o Estimulante é considerado o filho mais velho”
(Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5). Chên
é movimento e velocidade; é jovem, bambu verde. É um filho forte e que cresce rápido,
sobre o qual, como primogênito, são depositados todos os cuidados maternos e
toda a preocupação paterna. Herdou do pai o símbolo do dragão e entre os
cavalos aquele que se destaca por sua velocidade, por estabelecer marcas notáveis
ou por se destacar de alguma outra forma. Chên é um cavalo com as patas traseiras brancas ou
com uma estrela na testa; é, sem duvida, um cavalo para galopar. Sua cor é
amarelo escuro; o membro simbolizado, o pé, que serve para se movimentar, seu
campo de atuação é a estrada que conduz a um objetivo. Significa o leste, a
primavera, o período de florescimento, de expansão, o começo de tudo o que é
novo: “Todos os seres viventes nascem no
trigrama do Estimulate”
(Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5). É o momento em que Deus se manifesta através do Trovão.
O segundo trigrama é K’an, o Abismal,
o filho do meio. O abismal é água e especialmente a água corrente que flui
rapidamente através de um desfiladeiro. O segundo filho, de alguma maneira,
lembra sua mãe e não seu pai, tendo absorvido um dos seus mais antigos atributos.
Por causa dessa ambigüidade, o trigrama também significa Perigo. Os demais
atributos também ressaltam seu caráter ambíguo. Da água, K’an extrai suas características
de penetrante e incisivo; mas também
significa um fosso onde alguém pode-se esconder e também significa um ladrão tentando-se
esconder. Simboliza o sangue, e por conseqüência, a cor vermelho-sangue. Entre
os homens representa o melancólico, o doente de espírito, o homem com dor de
ouvido. O animal é o porco, a parte do corpo a orelha que escuta o abismo. Entre
os cavalos, os doentes, aqueles de cabeça caída, aqueles com cascos muito
finos, que tropeçam; mas, em contrapartida, aqueles com formidáveis costas, e
que têm uma coragem selvagem. É um vagão com defeito, mas também a roda do vagão;
é tudo o que está curvado ou é curvável,
a vaca e, por último, a lua. Devemos notar que neste estrato da cultura
arcaica, a lua ainda é masculino. K’an simboliza o Norte, o meio do inverno, e
a meia-noite, a época de labutar. Em verdade,
este
último aspecto contem o lado positivo do trigrama: “Deus labuta no trigrama do Abismal e todos os seres viventes se submetem
a Ele”. (Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5) ; ou seja, a perseverança em época de perigo e dificuldade será coroada
com sucesso. Essa característica de perseverança é enfatizada pelo fato de K’an
estar associado no mundo das plantas, à madeira dura e grossa.
O último dos trigramas
luminosos é Ken, a Quietude, a imobilidade, o filho mais novo cuja imagem é a
montanha. É uma estreita passagem na montanha cheia de pequenas pedras, uma
passagem e um portal, e ao mesmo tempo o
vigia do portal e do palácio; e, entre os animais, o cachorro. Herdou do pai o
atributo da fruta, significando o produto da planta; e a fruta é como a semente
a partir da qual a nova entidade se desenvolve. É uma árvore cheia de nós, um
pássaro de bico preto. A parte do corpo corresponde à mão e os dedos. Não há
nenhuma conexão com cavalos neste trigrama. Kên se situa no Nordeste e com
relação ao momento do dia, representa o amanhecer , o que começou como uma
batalha no meio da noite agora chega a conclusão. Por isso se diz: “Deus
torna todos os seres perfeitos no trigrama da Quietude” (Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5).
As três filhas são os
trigramas Sun, Li e Tui, onde a linha obscura ocupa o primeiro, o segundo e o
terceiro lugar, respectivamente.
A filha mais velha é Sun, A
Suavidade. Sua imagem é o vento penetrando por todo lugar e daí vem sem
atributo, a penetração; também evoca ao mundo vegetal através da imagem da
madeira. “No trigrama a Suavidade o macho procura pela primeira vez o poder
da fêmea e recebe uma filha. Por isso a Suavidade é chamada a filha mais velha”
(Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5). É muito significativo que a mãe procura os filhos no pai e o pai
procura as filhas na mãe. A Suavidade simboliza o caminho pela frente, o
trabalho perseverante, o comprimento e a altura; os olhos; aquela cujos
talentos para a economia fazem com que consiga comprar três vezes mais no
mercado com o mesmo dinheiro. Ela é uma pessoa que calmamente pesa e pondera,
aquela que sabe quando avançar e quando retroceder, porém essa ponderação pode
também indicar indecisão. Sua cor é branca. Muito branco no olho indica veemência
e por essa característica em comum que ela fica bem próximo do irmão mais
velho. Sua veemência, entretanto, é apenas uma explosão ocasional; como um todo ela corporifica a
pureza e a perfeição. “Deus torna todos os seres perfeitos no trigrama da Suavidade”. (Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5). O animal simbólico representado pela Suavidade é o galo , o primeiro
passo em relação à fênix, que mais tarde se desenvolveu a partir dele. A parte
do corpo humano associado a Suavidade são as coxas. O ponto cardinal é o
Sudeste, a hora é a parte da manhã, o tempo de trabalho duro.
Li, o próximo trigrama,
carrega a imagem do fogo e do sol. Aqui encontramos um sol feminino. Os
atributos principais de Li é a aderência do fogo e o brilho do sol. O brilho
pode ser tão intenso que também significa relâmpago. Fogo também significa dependência do material
consumido pelo fogo. A parte do corpo associada com Fogo
é o olho, como é natural. De
seu pai esta filha extraiu a secura e por isso ela pode ser relacionada com uma
árvore seca. No mundo dos homens, o fogo e o raio são armas poderosas, assim
como o escudo e o capacete, a lança e o aríete, são atributos desta Palas Atena.
Pode parecer estranho mas ela tem uma proeminente barriga, um traço que
provavelmente se origina na estrutura do trigrama firme no exterior e vazio no
interior. O animal associado a Li é o faisão, mais uma vez uma ave relacionada
com a fênix de épocas posteriores. Entretanto, ela alcança a tensão dos opostos
por ter domesticado vários animas aquáticos: a tartaruga, o caranguejo, o siri,
e o mexilhão. Li ocupa o Sul, seu tempo e o brilhante verão, a hora o meio-dia.
Este trigrama é o palco da percepção. “Deus
levou as criaturas a se perceberem uma das outras no trigrama do Aderir”
(Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5) é
dito, e é confirmado na seguinte explicação: “Os santos-sábios voltaram seus rostos para o Sul enquanto prestavam
ouvido ao significado do Universo, significa que ao governar eles se voltaram
para que é luminoso. Eles sem dúvida se inspiravam neste trigrama . (Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5).
O último dos três trigramas é
Tui, a filha mais nova, que espalha alegria e felicidade em redor dela. Seu símbolo
é o lago tranqüilo, e ainda água profunda. Esse lago reflete tudo o que se
espelha em ele e por isso também significa o reflexo. A parte do corpo humano
relacionado a Li é a boca. Isto não significa apenas prazeres gastronômicos,
mas o discurso. Muitas coisas estranhas escondidas nas profundidades podem ser extraídas
de um lago tão calmo. Assim, Tui é uma feiticeira é as sedutoras águas do Lago
sugerem a idéia de destruição e ruína. A estrutura do hexagrama indica dureza, obstinação
por dentro e maleabilidade por fora. Por isso, Tui pode ser a concubina, e
entre os animais, a ovelha. O trigrama Tui permanece no Oeste , o meio do
Outono e a hora do anoitecer que reconforta todas as criaturas. Assim, é dito: “Deus dá alegria às criaturas no trigrama da
Alegria” (Shuo Kua, Capítulo II, parágrafo 5). Mas, não devemos esquecer
que um excesso de Alegria pode ter seus perigos. Tui está próxima do irmão mais
novo, a Montanha a cujos poderes ela soma os dela.
Esse é, aproximadamente, o
conteúdo dos oito trigramas. De acordo com a situação, alguns destes
significados e símbolos se encontra em primeiro plano, mas devemos considerar todos
eles se desejarmos dissecar os componentes dos hexagramas. De acordo com a
Escola dos Trigramas os hexagramas representam dois trigramas superpostos e a
combinação das imagens de ambos os trigramas determina a imagem do hexagrama em
questão, resultado da interação dinâmica
dos dois trigramas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário