A História, a Filosofia e a Consulta ao I Ching (Elaboração, Organização e Tradução de Wu-ming).
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Personagens Importantes que Fazem Parte da História do I Ching
FU HSI (V milênio a.C.): Herói mitológico, fundador da civilização chinesa. Primeiro Imperador da China. Segundo a tradição, viveu por volta de 4500 a.C. e foi o inventor dos oito símbolos (kua) de três linhas ou trigramas.
REI WEN (r.1171-1122)*: Foi o fundador “honoris causa” da dinastia Chou (1111 - 249), a terceira e mais longa dinastia da China - as duas primeiras dinastias foram, a Hsia (2183-1752) e a Shang (1751-1112). Segundo a tradição, duplicou os trigramas formando os símbolos (kua) de seis linhas ou hexagramas e redigiu os julgamentos (kua-tzu) dos hexagramas em 1143 ou 1142 a.C., durante o cativeiro ao que foi submetido pelo Rei Chou Hsin, último soberano da dinastia Shang.
DUQUE DE CHOU (m. em 1094 a.C.): Tan, filho do Rei Wen e irmão mais novo de Wu, este último, o primeiro soberano da dinastia Chou. Segundo a tradição, redigiu os julgamentos das linhas (yao-tzu) dos hexagramas, completando assim o texto divinatório.
K’UNG FU TZU (551 - 479): Confúcio foi o primeiro mestre da China e transmissor dos costumes e dos ritos da dinastia Chou. Seus discípulos desenvolveram uma escola filosófica que se tornou a doutrina oficial do Império durante 2041 anos (de 136 a.C. a 1905 d.C.) Embora não haja certeza de que ele tenha escrito uma linha sequer, segundo a tradição foi o autor das Dez Asas (Shih I) ou Apêndices, que na realidade são os primeiros comentários filosóficos sobre o texto divinatório do Chou I (Mutações de Chou), como era chamado o I Ching naquela época.
CH’IN SHIH HUANG-TI (m. 210 a.C.): Fundador da dinastia Ch’in (221-206) e o primeiro soberano a unificar a China, em 221 a.C. Em 213 a.C., seguindo a orientação do relatório enviado pelo seu primeiro ministro Li Ssü (280-208), promoveu uma queima geral de livros antigos, da qual só o Chou I, por ser um livro divinatório, e o Calendário das Plantações e das Colheitas, foram poupados.
TUNG SHUNG SHU (179 - 104): Foi o autor do relatório em 136 a.C. onde se recomenda a proscrição de todos os ensinamentos exceto as Seis Disciplinas de Confúcio: Shu (História); Shih (Poesia); Li (Ritos); I (Mutações); Ch’un Ch’iu (Anais da Primavera e do Outono) e Yüeh (Música). Assim, os cinco livros (shu) usados para ensinar as Seis Disciplinas - do Yueh Shu ou Livro da Música só há referências - foram promovidos a Cinco Clássicos (Wu-Ching) formando o primeiro Cânone Confucionista: Shu Ching (Shang-Shu) ou Clássico da História; Shih Ching (Mão-Shih) ou Clássico da Poesia; Li Chi ou Clássico dos Ritos; I Ching (Chou-i) ou Clássico das Mutações e Ch’un Ch’iu ou Anais da Primavera e do Outono . Tung Shung Shu realizou uma síntese da teoria cósmica, dos princípios de governo e das idéias éticas associadas a Confúcio, estabelecendo as bases do “Confucionismo Ortodoxo”, que se tornou a doutrina do Estado durante vários séculos. Nos seus trabalhos expôs a interação do Céu, da Terra e do Homem com o eterno Ciclo Yin-Yang e o Ciclo dos Cinco Estados de Mutação (madeira, fogo, terra, metal e água). Acreditava que os fenômenos naturais anormais - tais como, tempestades, enchentes, secas, terremotos, eclipses etc - eram uma forma de comunicação entre o Céu e o Homem - isto é, avisos ou alertas através dos quais o Céu demonstrava sua discordância com a conduta dos soberanos.
WU-TI (r. 140 - 86): Imperador da dinastia Han Anterior (206 a.C - 8 d.C). Tornou os ensinamentos da escola confucionista a doutrina oficial do Império. Criou o título de Wu-ching-po-shih ou Erudito dos Cinco Clássicos, prova obrigatória para entrar no serviço público.
PO HU T’UNG (79 d.C.) Durante a dinastia Han Posterior (25-220) uma grande convenção de sábios foi convocada através de um Edital Imperial em 79 d.C. para sistematizar o estudo dos Clássicos Confucionistas. A Ampla Discussão da Convenção do Tigre Branco (Po Hu T’ung) propiciou a elaboração de um modelo de correspondência entre as Quatro Estações ou Ciclo do Tempo, o Ciclo da Interação Yin-Yang, o Ciclo dos Cinco Estados de Mutação, o Ciclo dos Oito Trigamas e os Oito Pontos Cardeais, sintetizado no diagrama da Bússola Universal.
WANG PI (226 - 249) O mais importante filósofo da dinastia Wei (220 -265). Primeiro comentarista a fazer uma análise filosófica do I Ching. Muito embora seu comentário se referisse basicamente ao Hsi Tz’u Chuan ou Comentários aos Julgamentos Anexos (5ª e 6ª Asas), o Chou I lüeh-i ou Esclarecimentos Simples sobre o I Ching, influenciou os comentaristas posteriores durante 500 anos.
CHOU-TUN-I (1017-1073): Considerado o fundador do Neo-Confucionismo é o autor de dois pequenos tratados filosóficos fundamentais: o T’ai-Ch’i-t’u shuo ou a Explanação do Diagrama do Grande Último e o T’ung-shu ou Penetrando no I Ching.
CHENG-I (1033-1107): Um dos dois mais importantes comentaristas do I Ching da dinastia Sung (960-1289). Estudou o I Ching do ponto de vista filosófico e seu comentário, o I Chuan ou Comentário sobre o I Ching, teve uma grande influência sobre os comentaristas posteriores durante séculos, tanto na China quanto no Japão.
CHU-HSI (1130 -1200): O outro grande comentarista do I Ching da dinastia Sung. Autor de dois trabalhos fundamentais: o Chou-i pen-i ou Conteúdo Básico do I Ching e o I-hsueh ch’i-meng ou Doutrina do I Ching para Principiantes. Este último comentário popularizou o I Ching na China e no Japão, além de resgatar seu aspecto oracular. Além disso, Chu-Hsi complementou o Cânone Confucionista com os Quatro Livros (Shu): o Lun Yu ou Analectos; o Meng tzu ou Livro de Mencius; o Ta Hsueh ou O Grande Aprendizado; e o Chung Yung ou A Doutrina do Meio. Os Quatro Livros, junto com os Cinco Clássicos, se tornaram a base da doutrina Neo-Confucionista.
ITO JINSAI (1607-1705); ITO TOGAI (1670-1736)e ITO ZENSHÔ (m. após 1771): Três gerações de estudiosos do I Ching no Japão, representantes da escola dos Textos Antigos. O avô, Jinsai, começou o estudo do I Ching; seu filho, Togai, dedicou sua vida a completar o trabalho iniciado pelo pai; e seu neto, Zenshô, publicou a obra de seus ancestrais.
* As datas decrescentes são anteriores a Cristo e as datas crescentes são posteriores a Cristo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário